terça-feira, 31 de maio de 2011

A Morte de Tutankamon

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Zahi Hawass, chefe do Conselho Supremo de Antiguidades do governo egípcio, disse à Reuters que os resultados de uma análise de alta tecnologia de raios-X da múmia poderia ajudar a explicar uma marca no osso do crânio, que gerou a teoria de assassinato.

"O buraco no crânio, do qual se fala tanto, temos de saber o que é exatamente para contar ao publico e, portanto, precisamos de tempo", disse Hawass.

Embora os tesouros e objetos da sua tumba tenham viajado pelo mundo, o corpo mumificado do jovem rei foi examinado apenas quatro vezes desde que o arqueólogo britânico Howard Carter surpreendeu a comunidade arqueológica para encontrar a tumba intacta de Tutankamon, em 1922.

O corpo mumificado foi submetido a tomografia computadorizada em primeiro lugar, com uma equipe especial de raios-x para obter imagens de ângulos diferentes do corpo.
O caixão foi aberto pela última vez em 1968, quando os raios X revelaram a entalhe no osso do crânio que levou à teoria de que o faraó foi morto por um golpe na cabeça. Entre os principais suspeitos falou-se do seu sumo Sacerdote e seu comandante militar.

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Tutankamon governou durante um período conturbado e confuso na história do Egipto, que começou logo após a morte do faraó monoteísta Akhenaton, em 1362 aC, que poderia ter sido seu pai. Tutankamon morreu quando ele estava prestes a atingir a idade adulta.
Hawass disse que a equipe de especialistas foi composto actualmente por egípcios, incluindo especialistas em patologia e da antropologia...

segunda-feira, 23 de maio de 2011

A Rainha/Faraó Maatkare Hatshepsut

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Hatshepsut nasceu em Tebas e era a filha mais velha de Tutmés I(Tutmósis I) e da rainha Ahmose, o primeiro rei e rainha do clã Thutmosid da 18 ª Dinastia. Tutmés I e Ahmose são conhecidos por ter tido apenas uma outra criança, uma filha Akhbetneferu (Neferubity), que morreu na infância. Tutmés I também se casou com Mutnofret, possivelmente uma filha de Ahmose I, e produziu vários meio-irmãos de Hatshepsut;Wadjmose, Amenose, Tutmés II, e possivelmente Ramose, através dessa união.
Ambos Wadjmose e Amenose estavam preparados para suceder ao seu pai, mas não viveram para além da adolescência. Na infância, Hatshepsut foi favorecida pelo Templo de Karnak, contra os seus dois irmãos e pelo seu pai.
Hatshepsut, aparentemente, tinha uma estreita relação com os seus pais e, posteriormente, produziu uma propaganda em que o seu pai Tutmés I supostamente a nomeou como sua herdeira directa .Hatshepsut vestia como um homem e usava uma barba falsa para provar que ela poderia ser Faraó e governar o Egipto no seu pleno direito.


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Hatshepsut foi casada com o seu meio-irmão, Tutmés II(seguindo um costume que existia no Antigo Egito que consistia em membros da família real casarem entre si),com quem ela reinou por cerca de 14 anos,. Percebendo a natureza ambiciosa da sua irmã-esposa, Tutmés II, declarou o filho,com Isis,do seu harém,para ser seu herdeiro, mas quando o jovem Tutmés III subiu ao trono, Hatshepsut tornou-se regente e prontamente usurpou a sua posição como governante.
Assim,no ano 7, Hatchepsut deixa de ser rainha, assume os cinco nomes que estavam reservados aos faraós. Para legitimar a sua posição, Hatchepsut, junto com os membros do clero de Amon, recorreu a um relato que fazia de si filha do deus Amon-Rá (teogamia).

"Bem-vindo minha querida filha,minha favorita, rei do Alto e Baixo Egipto, Maatkare, Hatshepsut. Tu és o Rei, tomando posse das Duas Terras..."

Nas paredes do templo funerário de Hatchepsut, em Deir el-Bahari, está representado o episódio que relata a concepção e nascimento da rainha-faraó.
Apesar de não concordarem, os sacerdotes foram obrigados a legitimar a história, pois viviam bem e com muitas mordomias, principalmente por causa das doações que a rainha fazia a eles. Acreditaram que se o Deus Amon não ficasse satisfeito com as decisões da rainha, o Egito sofreria com pragas e colheitas ruins, e então eles poderiam agir. Mas parece que Amon-Rá estava de acordo com as idéias de Hatshepsut, pois ela governou em um período de muita prosperidade e tranquilidade.
Vestia-se como um rei, mesmo usando uma barba falsa e os egípcios parecem ter aceite este comportamento inédito.


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Após sua morte, aos 37 anos e com 22 anos de reinado, Tutmés III subiu ao trono do Egipto. Hatchepsut foi enterrada na tumba KV20.

A Descoberta da Rainha/Faraó;


Tendo em conta que o nome de Hatchepsut foi suprimido das principais listas de reis do Antigo Egipto, desconheceu-se durante muito tempo a existência de Hatchepsut. Em meados do século XIX, quando a Egiptologia se estruturou como campo do saber, iniciou-se a redescoberta da rainha-faraó. Em 1922-1923 o egiptólogo Herbert Winlock, que realizava escavações em Deir el-Bahari na área pertencente ao rei Mentuhotep II, encontraria uma série de estátuas de Hatchepsut. Uma parte destas estátuas estão hoje no Museu Egípcio do Cairo e no Metropolitan Museum of Art. Recentemente a múmia de Hatchepsut foi localizada através de uma pesquisa que contava com testes de DNA, tomografia computadorizada, entre outras 2 múmias, e um grande mistério que envolvia sua morte. Através de um dente molar, encontrado em uma caixa mortuária de madeira e com seu nome entalhado, que também continha seu fígado mumificado, foi possível afirmar que uma das múmias em questão era a de Hatchepsut. Cientistas descobriram também que sua morte foi devido a uma infecção na gengiva.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Os Celtas na Península Ibérica

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Celtas é a designação dada a um conjunto de povos, organizados em múltiplas tribos, pertencentes à família linguística indo-europeia que se espalhou pela maior parte do noroeste da Europa a partir do segundo milénio a.C., desde a península Ibérica até a Anatólia.

As origens dos povos celtas são controversas, especulando-se que entre 1900 e 1500 a.C. tenham surgido da fusão de descendentes dos agricultores danubianos neolíticos e de povos de pastores oriundos das estepes.Esta incerteza deriva da complexidade e diversidade dos povos celtas, que além de englobarem grupos distintos, parecem ser a resultante da fusão sucessiva de culturas e etnias. Na península Ibérica, por exemplo, parte da população celta se misturou aos iberos, o que resultou no surgimento dos celtiberos.Estudos defendem que as Escritas paleohispânicas encontradas em estelas no sudoeste da península Ibérica demonstram que os celtas do País de Gales vieram do sul de Portugal e do sudoeste de Espanha.


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Os celtas são considerados os introdutores da metalurgia do ferro na Europa, dando origem naquele continente à Idade do Ferro (culturas de Hallstatt e La Tène). A unidade básica de sua organização social era o clã, composto por famílias aparentadas que partilhavam um núcleo de terras agrícolas, mas que mantinham a posse individual do gado que apascentavam. A religião celta era politeísta com características animistas, sendo os seus ritos quase sempre realizados ao ar livre. O calendário anual possuía várias festas místicas, como o Imbolc e o Belthane, assim como celebrações dos equinócios e solstícios.

Mais recentemente foram apresentadas novas perspectivas sobre a celtização do Noroeste de Portugal e a identidade étnica dos Callaeci Bracari. No país, os povoados castrejos do tipo citaniense apresentavam características idênticas às dos povoados celtas. A citânia de Briteiros é exemplo de um povoado com características celtas, sendo, porém, necessário tomar esta designação no seu sentido lato: isto é - seria o local de habitação das numerosas tribos celtas (celtici). Tongóbriga é um sítio arqueológico situado na freguesia de Freixo, também antigo povoado dos Callaeci Bracari.


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A maioria dos povos celtas foi integrada pelos Romanos, embora o modo de vida celta tenha, sob muitas formas, sobrevivido em grande parte do território por eles ocupado, como no norte de Portugal e a Galiza. Nestas regiões os traços linguísticos celtas sobrevivem nos topônimos, nalgumas formas linguísticas, no folclore e nas tradições. São os Celtas, os responsáveis pelos sufixos dunuum e briga em nomes de cidades, como Conímbriga (que viria a dar o nome à cidade de Coimbra), ou Miróbriga (Santiago do Cacém), Caetóbriga (Setúbal) e Lacóbriga (Lagos).

Tribos e povos celtas e de influência celta;

Brácaros
Calaicos
Celtiberos
Lusitanos
Célticos

Os Cónios

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Os cónios (Francês;Occitano, Piemontês;Coni,Italiano;Cuneo,Latim;Conii) eram os habitantes das actuais regiões do Algarve e Baixo Alentejo, no sul de Portugal, em data anterior ao séc. VIII a.C., até serem integrados na Província Romana da Lusitânia. Inícialmente foram aliados dos Romanos quando estes últimos pretendiam dominar a Península Ibérica.

A origem étnica dos cónios permanece uma incógnita. Para os defensores das teorias linguísticas actualmente aceites; a origem comum na Anatólia ou no Cáucaso das línguas europeias e indianas: ou seja, línguas indo-europeias, os cónios teriam uma origem celta, proto-celta, ou pré-céltica ibérica. Estas teorias, relativamente recentes, foram facilmente aceites, principalmente, por aqueles que registavam qualquer ligação dos europeus a África. Antes da teoria da origem caucasiana, muitos europeus julgavam-se descendentes de Jafé, conforme escrito na Bíblia, no livro de Génesis 10:5. Cronistas da antiguidade grego-romana, enumeram mais de 40 tribos ibéricas, entre elas a tribo cónia, como sendo descendentes de Jafé, pai dos europeus.

Antes do sec. VIII a.C., a zona de influência cónia, segundo estudo de caracterização paleoetnológico da região, abrangeria muito para além do sul de Portugal. Com efeito, o referido estudo baseando-se em textos da antiguidade grego-romana bem como na toponimia de Coimbra del Barranco, em Murcia, Espanha, e de Conímbriga, propõe que os cónios ocuparam uma região desde o centro de Portugal até ao Algarve e todo o sul de Espanha até Murcia. Em abono desta tese podemos acrescentar o Alto de Conio, e o pico de Conio no municipio de Ronda, na região autónoma da Andaluzia. Segundo Schulten, que considera os cónios uma das tribos ligures e afirmou que «Os Ligures são o povo original da Peninsula», os cónios também teriam marcado presença, não só em Portugal como em Espanha e na Europa, onde os ligures se fixaram. Confirmando esta teoria temos os seguintes topónimos: No norte de Espanha, encontramos o desfiladeiro, Puerto de Conio e o alto de Conio na região autónoma das Astúrias, onde terão habitado a tribo dos coniscos, descendentes dos construtores do dolmen de Pradías, de época neolítica, para muitos relacionada com os cónios. Nesta região terá existido uma cidade, actualmente desconhecida, incluída num dos Caminhos de Santiago; Asseconia. Também, estudos genéticos indicam que os bascos são o povo mais antigo da península e poderão estar relacionados com os cónios através da tribo dos vascones. Na França , os ligures também terão sido "empurrados" para as regiões montanhosas. Mas, em vez da Ronda espanhola ocuparam a região do Ródano-Alpes. O testemunho da presença ligure poderá ser a tribo iconii, conhecidos pelas tribos vizinhas como os Oingt, originando a localidade de Oingt (Iconium em latim) e a região de Oisans. No norte de Itália, junto ao Ródano italiano a marca da presença ligure dos cónios, para além da Ligúria também nos aparece, um pouco mais a norte, não só nas comunas Coniolo e Cónio, como na provincia com o mesmo nome, na província de Cónio, da região de Piemonte. Para outros investigadores que terão ido mais longe, os povos “Ibéricos” além de possuírem a Península Ibérica, França, Itália e as Ilhas Britânicas, penetram na península dos Balcãs, e ocuparam uma parte de África, Córsega e norte da Sardenha. Actualmente, e à luz de recentes estudos genéticos, aceita-se que uma raça com características razoavelmente uniformes ocupou o sul de França (ou pelo menos a Aquitânia), toda a península Ibérica e uma parte de África do norte e da Córsega. Os topónimos a seguir enumerados também atestam estes dados: Nas Ilhas Britânicas o assentamento fortificado romano Viroconium, atribuido á tribo cornovii, proveniente da Cornualha. Provavelmente, utilizados pelos romanos como tribo tampão contra os ataques escoceses e incursões irlandesas.


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Muitos autores concordam que a lingua cónia teria um substrato muito antigo relacionado com Osco, Latim e Ilirico. No Chipre encontramos uma localidade com o topónimo Konia Nos Balcãs encontramos a tribo dos trácios cicones que poderão estar relacionados com os cónios e com os povos que invadiram a anatólia, no sec. XII a. C. e posteriormente fundaram as cidades de Conni, na Frígia e de Iconium, na Anatólia.

No Baixo Alentejo e Algarve foram descobertos vários vestígios arqueológicos que testemunham a existência de uma civilização detentora de escrita, adoptada antes da chegada dos fenícios, e que se teria desenvolvido entre o século VIII e o V a.C. A escrita que está presente nas lápides sepulcrais desta civilização e nas moedas de Salatia (Alcácer do Sal) e é datável na Primeira idade do Ferro, surgindo no sul de Portugal e estendendo-se até à zona de fronteira. As estelas mais antigas recuam até ao século VII a.C. e as mais recentes pertencem ao século IV. O período áureo desta civilização coincidiu com o florescimento do reino de Tartessos, algo a que não deverá ser alheio a intensa relação comercial e cultural existente entre os dois povos e que também teve uma escrita, que ao contrário do que sucede com a dos cónios, é hoje conhecida nas suas linhas gerais. Não é consensual a designação da primeira escrita na peninsula ibérica. Para muitos historiadores é a escrita do sudoeste (SO) ou sud-lusitana. Já os linguístas, utilizam as designações de escrita tartessica ou turdetana. Outros concordam com a designação de escrita cónia, por não estar limitada geograficamente, mas relacionada com o povo e a cultura que criou essa escrita. E, segundo Leite de Vascocelos com os nomes konii e Konni , que aparecem inscritos em várias estelas. A posição destes estudiosos deve-se á concordância das teorias-hipoteses históricas e modelos linguísticos actualmente aceites nos meios cientificos. Estas posições baseiam-se em evidências linguísticas. Só que até á data não foram encontrados dados arqueologicos evidentes, daí que investigadores duvidem da existência dos cónios, outros negam a existência de celtas na península. Cidade Principal A localização provável de Conistorgis é a norte de Ossonoba (actual cidade de Faro). A cidade principal do país dos cónios era Conistorgis, que em língua cónia, significaria "Cidade Real", de acordo com Estrabão, que considerava a região celta. Foi destruída pelos lusitanos, por estes terem-se aliado aos romanos durante a conquista romana da Península Ibérica. A localização exacta desta cidade ainda não foi descoberta.

Aparentemente, antes da chegada dos romanos, os cónios eram monoteístas. O deus dos Cónios era Elohim, segundo uma estela que se encontra presentemente no Museu de Évora. O Sudoeste na Idade do Ferro, desde o séc. VI a.C., apresenta um complexo de influências religiosas tartéssicas, gaditanas (bastante helenizadas) e célticas ou pré-celticas, correspondente a uma zona de grandes interacções culturais e movimentos de populações.